O “engôdo” dos tablets e lousas educacionais.

Postado por Carlos Rabello em 05/07/2013 - Sem Comentários

Os tablets que chegaram para os professores do Ensino Médio é o assunto do momento no que se refere à educação. As opiniões vão desde aqueles que abominam a tecnologia, e, portanto, o tablet é apenas mais um aparelho inútil, passando por aqueles que emitem opiniões sem conhecimento de causa usando argumentos preconceituosos e destrutivos, até aqueles que compreendem que a escola não pode ficar à margem da disseminação das tecnologias que acontece na sociedade como um todo.

Muitos professores ainda precisam ser convencidos de que o tablet realmente tem potencialidades de mudar a sua metodologia de trabalho. Como todo objeto, ele não tem um fim em si mesmo. Precisa ser trabalhado dentro de uma metodologia que possibilite transformações.

As potencialidades do giz e do quadro já foram esgotadas enquanto material didático há muito tempo. Temos que vivenciar pedagogicamente uma realidade que se manifesta hoje não só na grafia, mas também através do som e da imagem. Junto a isso temos um aluno chamado “nativo digital” que nasceu a partir dos anos 90 e que começou a compreender o mundo conectado com a internet. Um aluno que faz suas próprias produções e coloca na internet. Um aluno que não quer só ouvir, mas sim produzir… Até aqui a idéia de distribuir tablets e lousas digitais parecia caminhar neste contexto, não fosse a deparação de produtos fora de critérios como o de “custo x benefício”, por exemplo. A própria configuração do aparelho não atende mais as exigências atuais, além das escolas não possuírem wi-fi fora dos laboratórios e com uma velocidade compatível :

Configuração Tablet Positivo YPY:
Tela: 7 polegadas
Resolução de tela: 1024 x 768 pixels
Sistema operacional: Android 2.3
Processador: ARM Cortex A8 de 1GHz
Memória RAM: 512 Mb
Armazenamento: 2GB internos, expansão pra 8 Gb via cartão MiniSDConectividade: Wi-Fi b/g/n, Bluetooth 2.1, USB, HDMI
Dimensões: 20 x 14 x 1,2 cm
Peso: 447 gramas
Autonomia de bateria: 6 horas
Itens inclusos: aparelho, carregador, capa protetora, cabo USB, guia rápido.

Então, penso que querer conectar a distribuição do tablet com a salvação da educação é uma interpretação que cheira a má fé. Querer discutir toda a problemática da educação estadual através de uma ação pontual é desconhecer a complexidade da educação.

A entrega de tablets aos professores não é um ato isolado do Governo Colombo, pois sabemos com colegas de Torres que também foi distribuído no RS e em outros estados como Projeto Piloto. O Ministério da Educação, através da Portaria nº 522 em 9/4/1997, criou o ProInfo (Programa Nacional de Tecnologia Educacional), com a finalidade de promover o uso da tecnologia como ferramenta de enriquecimento pedagógico no ensino público fundamental e médio. Para participar do programa o estado precisa providenciar internet banda larga, laboratório do ProInfo e rede sem fio (wi-fi), o que quando existe é de má qualidade e de apenas 2 Mbps para todas as escolas, inclusive a nossa (EEBA) que têm cerca de 1500 alunos

A questão dos tablets é somente a de entender que não bastam apenas os tablets (e se os mesmos fossem eficientes)… Tem que ter algo mais que deve ser valorizado em se tratando de Educação, ou seja, os sujeitos da Educação (agentes) que fazem a Educação: Professor X Aluno – que são pessoas que devem ser valorizadas e levadas a série muito antes dos objetos, das coisas que servem apenas de instrumento para serem usados e que “tentam” facilitar o trabalho tornando-o produtivo. Concordo com o que diz  o Sinte: “Se o Professor fosse bem pago, poderia ele mesmo comprar o seu tablete”, e fazê-lo com eficiência principalmente no quesito “custo x benefício”. É claro que a Educação é complexa, e eis porque temos que discutir causas, medidas, projetos, situações, sempre centrando em pessoas e não a partir de “coisas”. O que se pode ver até o momento, foi o mascaramento da realidade e, isso dá para qualquer leigo no assunto perceber. Inverter a ordem natural das coisas, pode não passar de falação, engodo. Se o Senhor Governador juntamente com o Governo Federal tiveram uma ação pontual com os tablets e/ou lousas digitais, porque não têm a mesma ação pontual com a Lei do Piso Nacional do Magistério que está acabando no esquecimento para descumpri-lo?  A ação não pontual ao descumprir a lei, dá margens para que outros também o façam. E daí o resultado se explica no não investimento em Educação mas sim em  Segurança: presídios, polícias, cadeias…



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