Cartografia

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De acordo com algumas definições a cartografia é a ciência que trata dos estudos e operações tanto científicas e técnicas, quanto artísticas, relacionadas à elaboração e utilização das cartas (ou mapas) de acordo com determinados sistemas de projeção e uma determinada escala.

O primeiro mapa de que se tem notícia foi feito em uma tábua redonda de argila por volta de 2.300 a.C. na região da Mesopotâmia (atual Iraque). Era apenas uma representação de um rio, provavelmente o rio Eufrates, circundando montanhas. Outros registros, datando de 1.000 a.C., foram encontrados no Egito em tumbas, onde os desenhos representavam paisagens locais, trilhas e rios.

Essa representação feita pelos babilônios é considerada como o primeiro mapa-múndi da história por representar o mundo na concepção de seus autores, mesmo que na verdade, a terra seja bem diferente disso.

Mas foi na Grécia que surgiram as primeiras tentativas de se estabelecer métodos para a confecção destes mapas. Por volta de 500 a.C. Hecateu de Mileto produziu um livro onde representava a terra como um disco com a Grécia no centro que foi considerada o primeiro livro de geografia da história. E, mais tarde, Claudius Ptolomeu, que viveu entre 90 e 168 d.C., publicou um tratado sobre geografia composto por oito volumes e que entraria para história por conter uma nova representação do mundo com regras para representá-lo na forma esférica, bem mais próximo dos utilizados atualmente.

Mais foi só a partir do século XII que, através do relato de viajantes e navegadores, iniciou-se a produção de mapas que incluíam regiões maiores do globo. Embora com muitos erros e exageros por parte dos relatores.

O período das “Grandes Navegações” (século XV) foi uma época de grande produção de mapas e cartas. Mas era comum encontrar representados nessas cartas, além das regiões a navegar, figuras mitológicas e monstros marinhos.

Foi, também, no século XV que Gerard Mercator desenvolveu um método para representar as características de um objeto curvo (a terra) em uma superfície plana. Depois, a partir do século XVIII e da invenção de telescópios a cartografia começou a se desenvolver, mas, só atingiria seu auge nas décadas de 1970 e 1980 com o surgimento de bancos de dados digitais sobre o tamanho, as formas da terra e o seu estudo, a geodésia.

Mas, não podemos deixar de lado, descobertas e idéias de outros pensadores, cientistas e inventores que ajudaram no desenvolvimento dos conceitos ligados a cartografia, como, por exemplo, Copérnico que revolucionou a concepção do universo ao confrontar o geocentrismo aristotélico com sua teoria heliocêntrica. Erastótenes que foi o primeiro a calcular o raio da terra em 240 a.C. Alexander Von Humboldt que foi o primeiro a usar isotermas (curvas que unem os pontos, em um plano cartográfico, que representam as mesmas temperaturas na unidade de tempo considerada) para representar regiões de mesma temperatura, a empregar o conceito de “meio ambiente geográfico” ao afirmar que as características da fauna e da flora dependem das condições climáticas, relevo e latitude do local. Também foi ele quem demonstrou pela primeira vez a variação da intensidade magnética dos pólos ao equador situando o equador magnético no Peru, além de muitas outras descobertas relacionadas ao estudo da terra, do vulcanismo e das correntes marítimas. E, também, Fernão de Magalhães, navegador português a serviço da Espanha e que foi o primeiro a circunavegar o globo, além de muitos outros estudiosos que contribuíram para a consolidação da cartografia.

Projeção de MERCATOR

Gerardus Mercator Rupelmundanus, ou Gerhard Kremer como era seu nome original, foi um cartógrafo belga nascido em 1512 e que em 1569 revolucionou a cartografia ao conseguir a façanha de representar o globo terrestre em um retângulo plano, a “Projeção de Mercator”, na época, chamado por ele de “Nova et aucta orbis terrae descriptio ad usum navigantium emendate accommodata”.

Felizmente, Mercator era melhor com mapas do que com nomes e sua projeção foi, por séculos, utilizada na navegação (como o nome original sugeria), fazendo com que todas as cartas náuticas usadas até então se tornassem obsoletas e, sendo até hoje usada em muitos atlas e, praticamente, em todos os mapas de fusos horários.

Mercator conseguira, utilizando 24 linhas verticais (meridianos) e 12 horizontais (paralelos) que iam se afastando umas das outras conforme se aproximavam dos pólos, representar todos os continentes da terra em um mapa que podia ser utilizado para traçar rotas através de “curvas-traçado” (que ele chamava de “loxódromo”) de maneira surpreendentemente eficiente para a época.

Mas, como toda projeção cartográfica, a de Mercator possui uma distorção, só que nos pólos. Devido à forma como são representados, os continentes afastados da linha do Equador (Europa, Canadá, Groenlândia, etc.) ficam maiores do que são na realidade. Um exemplo comum utilizado, é a Groenlândia que, na Projeção de Mercator aparece maior que a América do Sul, quando, na verdade, a América do Sul é bem maior.

Essa distorção cartográfica faz com que a precisão na medição das distâncias seja tanto prejudicada quanto maior for a latitude da rota medida. O que, porém não prejudicou o trabalho de Mercator que passou a ser considerado o pai da cartografia.

A partir da projeção de Mercator foram feitas outras formas de projeção: a “Mercator Transversa”, projeção cilíndrica com o plano tangente ao Equador e usada em mapeamentos topográficos e base para projeção UTM; a “Oblíqua de Mercator”, com o plano tangente a um círculo máximo qualquer que não é o Equador nem o meridiano de Greenwich e é usado para projetar imagens de satélite no sistema Landsat, serviu de base para a projeção SOM (Space Oblique Mercator) e para mapear regiões como o Alaska, que se estendem em direção oblíqua; e, a “Projeção Equivalente de Lambert”, que é parecida com a de Mercator só que com o plano tangente ao Equador, de forma que a escala na linha do Equador é a real e conforme vai se aproximando dos pólos vai diminuindo. Causando uma distorção aparente, inversamente proporcional a da projeção de Mercator.

Projeção de PETERS

Durante muito tempo a Projeção de Mercator  foi a mais utilizada para representar a superfície terrestre. Porém, em 1973, Arno Peters, cartógrafo e historiador alemão, criou uma projeção que ele mesmo chamou de “mapa para um mundo solidário”.

projeção de Peters é uma projeção cilíndrica tangente aos pólos, parecida com a de Mercator, mas com a diferença fundamental de representar, o mais próximo possível da realidade, a proporção de tamanho entre os continentes sem se preocupar com a equivalência das distâncias.

Na projeção de Peters (ou “Projeção Equivalente de Peters”) os paralelos estão separados a intervalos crescentes desde os pólos até o Equador e, por isso, os continentes situados entre os paralelos 60º norte e sul apresentam uma deformação (alongamento) no sentido norte-sul, sendo que os continentes que se situam em uma latitude elevada (Groenlândia, Canadá…) apresentam um achatamento no sentido norte-sul e um alongamento proposital (para haver correspondência em tamanho) no sentido leste-oeste.

Outra diferença desta projeção para a de Mercator é que os paralelos estão separados por uma distância menor, fazendo com que os continentes em latitudes menores que 60º (mais próximos do equador) fiquem mais “finos” (ou, com que haja um achatamento no sentido leste-oeste).

Devido a estas mudanças nas posições dos paralelos, a Projeção de Peters apresenta a Europa e a União Soviética bem menor, e a África é que ocupa o centro da projeção.

Por isso, a projeção de Peters é tida como uma projeção ideologicamente “terceiro-mundista”. Ela apresenta uma proporção real entre os continentes onde os países de primeiro mundo não são maiores que os países do terceiro mundo, no sentido literal e metafórico.

Tanto é que a Projeção de Peters foi utilizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) como uma tentativa de sensibilizar os países do primeiro mundo acerca da pobreza dos outros países.

MAPA “representação gráfica, em geral uma superfície plana e numa determinada escala, com a representação de acidentes físicos e culturais da superfície da Terra, ou de um planeta ou satélite”.

CARTA “representação gráfica dos aspectos naturais e artificiais da Terra, destinada a fins práticos da atividade humana, permitindo a avaliação precisa de distâncias, direções e a localização plana, geralmente em média ou grande escala, de uma superfície da Terra, subdividida em folhas, de forma sistemática, obedecendo a um plano nacional ou internacional”.

Mapas Genéricos ou Gerais; Mapas Especiais ou Técnicos;

Mapas Temáticos;

Mapa ou Carta imagem.

MAPAS GENÉRICOS OU GERAIS, que não possuem uma finalidade específica, servindo basicamente para efeitos ilustrativos, normalmente desprovidos de grande precisão, apresentando alguns aspectos físicos e obras humanas, visando a um usuário leigo e comum.

Ex: mapa contendo a divisão política de um Estado ou país.

MAPAS ESPECIAIS OU TÉCNICOS, que são elaborados para fins específicos, com uma precisão bastante variável, de acordo com a sua aplicabilidade.

Ex: mapa astronômico, metereológico, turístico, zoogeográfico etc.

MAPAS TEMÁTICOS, nos quais são representados determinados aspectos ou temas sobre outros mapas já existentes, os denominados mapas-base. Utiliza-se de simbologias diversas para a representação dos fenômenos espacialmente distribuídos na superfície. Qualquer mapa que apresente informações diferentes da mera representação do terreno pode ser classificado como temático.

Ex: mapa geomorfológico, geológico, de solos etc.

MAPA OU CARTA IMAGEM, em que uma imagem é apresentada sobre um mapa-base, podendo abranger objetivos diversos. São utilizados para complementar as informações de uma maneira mais ilustrativa, a fim de facilitar o entendimento pelo usuário.

PLANTAS, quando se trabalha com escalas muito grandes, maiores do que 1:1.0. As plantas são utilizadas quando há a exigência de um detalhamento bastante minucioso do terreno, como por exemplo, redes de água, esgoto etc.

CARTA CADASTRAL, extremamente detalhada e precisa, com grandes escalas, maiores do que 1:5.0, utilizadas, por exemplo, para cadastro municipal. Essas cartas são elaboradas com base em levantamentos topográficos e/ou aerofotogramétricos.

CARTA TOPOGRÁFICA, que compreende as escalas médias, situadas entre 1:25.0 e 1:250.0, contendo detalhes planimétricos e altimétricos. As cartas topográficas, normalmente, são elaboradas com base em levantamentos aerofotogramétricos, com o apoio de bases topográficas já existentes.

CARTA GEOGRÁFICA, como escalas pequenas, menores do que 1:500.0, apresentando simbologia diferenciada para as representações planimétricas (exagerando os objetos) e altimétricas, por meio de curvas de nível ou de cores hipsométricas.

•O título do mapa: realçado, preciso e conciso; •As convenções utilizadas;

•A base de origem (mapa-base, dados etc.);

•As referências (autoria, data de confecção, fontes etc.);

•A indicação da direção norte, no caso da inexistência de um sistema de coordenadas geográficas ou plano-retangulares;

•O sistema de projeção utilizado;

•O(s) sistema(s) de coordenadas utilizado(s) (gratículas e/ou quadrículas)

Relação ou proporção existente entre as distâncias lineares representadas em um mapa e aquelas existentes no terreno, ou seja, na superfície real. Em geral, as escalas são apresentadas em mapas nas formas numérica, gráfica ou nominal.

É representada por uma fração em que o numerador é sempre a unidade, designando a distância medida no mapa, e o denominador representa a distância correspondente no terreno.

Exemplos:

É representada por uma linha ou barra (régua) graduada, contendo subdivisões denominada talões. Cada talão apresenta a relação de seu com o valor correspondente no terreno, indicado sob forma numérica, na sua parte inferior. O talão, preferencialmente deve ser expresso por um valor inteiro.

É apresentada nominalmente, por extenso, por uma igualdade entre o valor representado no mapa e sua correspondência no terreno.

Exemplos:

Km Hm Dam M Dm Cm Mm # 1.0# 100# 101/ 10/ 100/ 1.0

As distâncias entre quaisquer localidades podem ser facilmente calculadas por meio de uma simples regra de três, a qual pode ser montada como segue:

D = N . d

D = distância real no terreno

N = denominador da escala (escala = 1/N) d = distância medida no mapa

Medindo-se uma distância em uma carta, acharam-se 2 cm. Sendo a escala da carta

1:50.0, ou seja, cada centímetro, na carta, representando 50.0 centímetros (ou 500 metros) na realidade, a distância no terreno será:

D = N . d

Ao encontrar-se um mapa geográfico antigo, cuja escala aparece pouco visível, mediu-se a distância entre duas cidades, tendo sido encontrado o valor de 30 cm. Sabendo que a distância real entre ambas é de, aproximadamente, 270 km em linha reta, pergunta-se: qual era a verdadeira escala do mapa?

D = N . d N = D/d

Após a impressão de parte de uma carta topográfica que se encontrava em um arquivo digital, observou-se que houve uma ampliação dessa carta. Um trecho de uma estrada que apresentava, na escala original de 1:25.0, exatamente 7 cm, ficou com 12,5 cm. Como será calculada a “nova” escala do mapa impresso?

Cálculo da distância real: D=N.d Cálculo da nova escala: N= D/d

Problemas como o apresentado no exercício anterior podem ser sanados, de forma razoavelmente simples, caso seja utilizada uma escala gráfica, em vez de uma simples escala numérica ou nominal.

Fonte: Brasil Escola