Morro dos Conventos

 

Baln. Morro dos Conventos

                                        Foz do Rio Araranguá com o Oceano Atlântico

Morro dos Conventos

                                             (Google Earth – Sat 01/06/2011)

 

 

MORRO DOS CONVENTOS – Araranguá/SC

Prof. José Carlos Rabello

 

Localização e descrição da área

Unidade Geomorfológica de Planície Costeira, o Balneário Morro dos Conventos, município de Araranguá, sul do estado de Santa Catarina, está situado entre as coordenadas 28°56’20.94”S, 49°22’08.32”O.

O Balneário de Morro dos Conventos distancia-se 12 km do centro da cidade de Araranguá ocupando uma área de, aproximadamente, 10 km de costa entre a barra do rio Araranguá ao norte e o município de Balneário Arroio do Silva ao sul.

 

População fixa: 3.031 habitantes (censo 2010)

População no Verão: 12.000 fixos e 4.500 itinerantes nos finais de semana (Prefeitura Municipal de Araranguá)

Altitude: 68 metros

Clima: subtropical

Economia principal: turismo

Economia secundária: agricultura

Principal curso d’ água: Rio Araranguá

 

Belezas naturais: Barra do Rio Araranguá, Lagoa dos Bichos (Lago Dourado), Dunas, Furnas, Restinga, Falésia, Rio Araranguá e Oceano Atlântico.

 

Atividades turísticas: Esportes radicais (rapel, para-pente, asa-delta, sandboard, surf), visita ao mirante e farol da marinha, gastronomia com frutos do mar, carnaval de rua, etc.

 

Histórico: Os primeiros habitantes na região foram os portugueses, vindos de Laguna no início do Século XVIII. Estabeleceram-se no Morro dos Conventos, onde havia uma estrada que ligava o Sul ao centro do País. Mais tarde, chegaram imigrantes italianos, alemães, poloneses e espanhóis. O acesso do litoral à serra catarinense ficou conhecido como o “Caminho dos Conventos”, aberto e nomeado pelos tropeiros em 1728. Este caminho ficou mais conhecido e utilizado durante a Revolução Farroupilha (1835-1845), no momento da “Fuga de Laguna”.

Anita e Giuseppe Garibaldi bateram-se em retirada pelo litoral em direção ao sul, passando por esse caminho em direção a Serra do Faxinal para Lages. Hoje, a maioria dos moradores do local é de ascendência açoriana e italiana. Com a chegada dos desbravadores, os índios Carijós e Kaingangs, primeiros habitantes do Morro dos Conventos, foram exterminados.

 

Clima

O clima da região sul de Santa Catarina é classificado segundo Köppen como Cfa, ou seja, clima subtropical constantemente úmido, sem estação secacom verão quente, apresentando como temperatura média (> 22,0 ºC).

A temperatura média normal anual varia de 17,0 a 19,3 ºC, sendo que a temperatura média normal das máximas varia de 23,4 a 25,9 ºC e das mínimas de 12,0 a 15,1 ºC (EPAGRI; CIRAM, 2001).

O índice pluviométrico varia de 1220 a 1660 mm, com total anual de dias de chuva entre 102 e 150 dias. A umidade relativa do ar pode apresentar variação de 81,4 a 82,2% (EPAGRI; CIRAM, 2001).

 

Geologia

O litoral sul do Brasil insere-se no Domínio da Cobertura de Sedimentos Cenozóicos, formados durante o Quaternário Holocênico, que corresponde aos depósitos sedimentares inconsolidados situados junto à linha de costa, formados em ambientes marinho, fluvial, eólico, lagunar ou misto (GAPLAN, 1986). Os Sedimentos Cenozóicos englobam simultaneamente os sedimentos litorâneos e os de origem continental. Entre os primeiros destacam-se os depósitos praiais de natureza quartzosa, com morfologia típica de feixes de restinga (EPAGRI; CIRAM, 2001).

As dunas móveis localizam-se na praia, e se diferenciam pela ausência de forma definida em função dos ventos e por não apresentarem indício de formação de um horizonte pedogênico. As dunas mais antigas ocupam uma faixa de 3 a 4 km ao longo da costa atlântica e ao longo de algumas lagoas. Estão consideravelmente consolidadas pela vegetação e, ao contrário das dunas móveis, apresentam um horizonte superficial mais ou menos escurecido e, por vezes um horizonte em início de formação. Nessas áreas predominam Neossolos Quartzarênicos e Espodossolos (EPAGRI; CIRAM, 2001).

Segundo os autores citados, a faixa de terreno arenoso não se resume à área ocupada pelas dunas. Em alguns locais, essa faixa se estende por cerca de 10 km da orla marítima, onde o terreno é de topografia quase plana.

Borges e Porto Filho (2001) descrevem que no Morro dos Conventos e arredores, ocorrem duas feições geológicas distintas: a primeira, que dá origem à elevação [falésia] denominada Morro dos Conventos, a qual foi gerada a partir da compartimentação por fenômenos tectônicos que ocorreram na Bacia do Paraná; a segunda, formada por sedimentos inconsolidados areno-síltico-argilosos, que dão origem à Planície Costeira e que recebem depósitos sedimentares desde o final do Mesozóico até o presente.

A primeira feição geológica é formada por rochas sedimentares da Formação Rio do Rastro, localmente representada pela unidade basal denominada Membro Serrinha, constituído por siltitos com desagregação esferoidal, argilitos e arenitos finos; já na segunda, predominam os depósitos aluvionares, marinhos, eólicos e mistos (GAPLAN, 1986; KAUL, 1990; BORGES; PORTO FILHO, 2001).

 

Geomorfologia

No litoral sul do estado de Santa Catarina a conformação geomorfológica é caracterizada por vasta planície, apresentando isoladamente elevações de origem ígnea ou mesmo feições sedimentares fanerozóicas, as quais se destacam na paisagem formando morros testemunhos, ocasionando contrastes altimétricos acentuados (SANTA CATARINA, 1991; PORTO FILHO, 2001).

Ao longo de toda a extensão do Extremo Sul do Estado de Santa Catarina, as planícies litorâneas apresentam-se largas e o litoral retificado, onde se encontram extensas praias e surgem, com freqüência, as formações lacustres e as acumulações dunares. Nas planícies litorâneas, as altitudes médias registradas estão em torno de 10 m, alcançando em alguns terraços inferiores próximos das montanhas e serras a oeste, até 30 m de altitude (EPAGRI; CIRAM, 2001).

O rio Araranguá, integrante das bacias da vertente do Atlântico tem sua foz desviada para o norte por uma restinga arenosa (figura 3), formada por sedimentos síltico-argilosos e as areias finas quartzosas, resultantes da combinação de processos relacionados às dinâmicas fluvial e litorânea que constituem o componente geológico fundamental das planícies litorâneas (JUSTUS; MACHADO; FRANCO, 1986; SANTA CATARINA, 1991).

Figura 3 – Vista aérea da foz do rio Araranguá desviada para o norte pela restinga arenosa do Balneário de Morro dos Conventos, Araranguá (SC). Fonte: Ênio Frasseto (2004).

 

Pedologia

Os solos do Balneário Morro dos Conventos, junto à área de estudo, segundo a Classificação Brasileira de Solos (EMBRAPA, 1999) são considerados Neossolos Quartzarênicos com seqüência de horizontes A e C, sem contato lítico dentro de 50 cm de superfície do solo. São essencialmente quartzosos, apresentando textura areia ou areia franca nos horizontes até no mínimo 150 cm da superfície do solo, ou até o contato lítico; essencialmente quartzosos, apresentando nas frações areia grossa e areia fina, 95% ou mais de quartzo, calcedônia e opala e, praticamente, ausência de minerais primários alteráveis. Estes solos eram denominados anteriormente de Areias Quartzosas (EPAGRI; CIRAM, 2001).

O horizonte A é pouco desenvolvido, de coloração ligeiramente mais escura que o horizonte C. Apresenta baixos teores de nutrientes minerais assimiláveis pelas plantas, constituindo restrição forte a sua utilização agrícola (KER et al. 1986; MOSER, 1990).

 

Ocupação antrópica

O Balneário de Morro dos Conventos, assim como as demais praias do país vêm sofrendo ação antrópica de modo descontrolado comprometendo os ecossistemas litorâneos. De acordo com dados obtidos da Prefeitura Municipal de Araranguá, a população fixa do Balneário de Morro dos Conventos é de aproximadamente 3031 habitantes (censo IBGE 2010), que ocupam duas áreas distintas: a primeira, sobre e a oeste da falésia, onde a densidade de moradias é maior e; a segunda junto à restinga propriamente dita, onde se encontra um pequeno aglomerado habitacional, composto por aproximadamente 230 moradias.

Na porção sul do aglomerado habitacional, onde a densidade de residências é mais elevada, observa-se sensível alteração no perfil paisagístico das dunas. Este fato também pode ser verificado ao longo da estrada de acesso à praia, que foi construída em 1954, a qual interrompeu o fluxo de água no córrego localizado na base da falésia, modificando o regime de deposição e mobilidade das dunas.

Na temporada de verão este número aumenta até seis vezes, atingindo por volta de 16.500 pessoas nos finais de semana, fato preocupante devido ao impacto representado pela súbita elevação da densidade populacional.

Os turistas demonstram grande atração pela falésia e dunas existentes no local, considerando-as como áreas de lazer. O uso indiscriminado e a falta de um serviço de guia e orientação, tem gerado danos irreversíveis à falésia, à vegetação e à fauna.

É um ecosistema ameaçado e, com o aumento constante da população e de seus visitantes faz com que nos procupemos cada vez mais com a sua preservação…