Conflitos

Infelizmente ainda existem muitas regiões do mundo vivendo intensos conflitos que estão muito longe de terminar… As lutas são provocadas por diversos motivos, como: disputa por territórios, independência, questões religiosas e recursos naturais.

Os conflitos mundiais são estudados pela Geografia para podermos conhecer os focos de conflitos no mundo atual, dentro do contexto cartográfico:

Conflitos Mundiais em 2013

VEJA NO MAPA ABAIXO OS PAÍSES ONDE HÁ MAIS LIBERDADE DE EXPRESSÃO (cores claras) E OS DE MENOR LIBERDADE (escuros):

Mapa da Liberdade de Expressão em 2013
Mapa da Liberdade de Expressão em 2013


Nigéria  (Africa)-  o maior conflito é entre cristãos e muçulmanos. Em Serra Leoa, uma das nações mais pobres do mundo, acontece uma guerrilha contra o governo. O objetivo é tomar o poder no país.

Ruanda e Burundi (Africa) –hútus x tútsis : os territórios dos países Ruanda e Burundi são palco de uma sangrenta luta entre Hútus e Tútsis, duas etnias africanas que lutam pelo controle territorial desses dois países. Ambos os territórios, após a partilha da África, formavam um único país, denominado Ruanda-Urundi, que pertencia à Alemanha. Após a derrota dos alemães na Primeira Guerra Mundial, a partir de 1919, o país passou a pertencer à Bélgica.

Os belgas então escolheram a minoria tútsi (15% da população) para governar o país, subjugando a maioria hútu. Em 1959, após inúmeros protestos dos hútus, houve uma separação entre Ruanda e Burundi. Em 1961, Ruanda conseguiu a sua independência e passou a ser uma República administrada, dessa vez, pelos hútus. Os tútsis, perseguidos, exilaram-se nos países vizinhos, inclusive em Burundi, que também conseguira sua independência.

Ao longo dos anos, os conflitos entre Ruanda e Burundi e entre hútus e tútsis até hoje se mantêm, com sucessivas tréguas e retomadas de embates, acarretando em uma grande quantidade de mortes na região.

Sudão (Africa)- Darfur é uma região localizada na porção Oeste do Sudão, país do continente africano. Nesse local ocorre, desde 2003, uma dura guerra civil entre povos árabes e povos não árabes. O governo sudanês vem apoiado o grupo miliciano árabe denominado Janjaweed, que vem perseguindo e aniquilando os povos não arabizados. Apesar do Conflito de Darfur ter iniciado em 2003, o Sudão – que é, atualmente, o maior país da África – sofre com as sucessivas guerras civis desde 1956, quando conseguiu sua independência junto ao Reino Unido. Em 2006, o Conselho de Segurança da ONU enviou tropas para a intervenção sobre o conflito e impôs sérias sanções sobre o governo sudanês a fim de coibir o comércio e a proliferação de armas no país. Entretanto, o Sudão continua fornecendo armas para os Janjaweed e a guerra civil – a terceira da história do país – parece estar longe de terminar.

Índia X Paquistão – Caxemira

  

O conflito da Caxemira

Este conflito se refere à disputa territorial entre a Índia e Paquistão.
Após a independência da Índia britânica, 15 de agosto de 1947, por motivos religiosos, dois estados independentes foram formados: Índia (hindu) e Paquistão (muçulmano). As relações da Índia com o Paquistão começaram mal e nunca foram amigáveis. Para agravar ainda mais a difícil convivência entre os dois, Índia e Paquistão (Ocidental e Oriental originalmente separados) nasceram no início da Guerra Fria. Paquistão estava a favor dos Estados Unidos, enquanto a Índia apoiava a URSS.Grande parte da população da Caxemira é muçulmana e quer a anexação ao Paquistão, o que a Índia nega. O Paquistão reivindica o controle total da região sob o argumento de que lá vive uma população de maioria muçulmana, a mesma do país. Contudo, a Índia controla a maior parte da Caxemira.A posição oficial da Índia é que a Caxemira é “parte integrante” da Índia, enquanto a posição oficial do Paquistão é que a Caxemira é um território disputado, cujo estatuto definitivo só pode ser determinado pelo povo da Caxemira. Mas alguns grupos acreditam que a Caxemira, deve ser independente da Índia e do Paquistão.

 Argélia (África)– este país vive uma guerra civil desde 1992. O grupo luta pela criação de um estado teocrático na Argélia.

Israel (Oriente Médio): marcado pelo conflito entre árabes e israelenses. Os palestinos reivindicam o reconhecimento de um Estado independente na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, territórios atualmente ocupados por Israel.

 Tibet (China): a região é controlada pela China desde 1950, mas muitos lutam pela independência da área. Mais de 1,2 milhão tibetanos morreram durante a ocupação do Tibet.

 Iraque (Oriente Médio): enfrenta divergências ligadas a questões religiosas, econômicas, territoriais e étnicas. O país esteve envolvido em confrontos com o Irã, o Kuwait e os Estados Unidos.

 Afeganistão (Ásia): o grupo fundamentalista Taleban promove diversos ataques e guerras civis.

 Sri Lanka (Ásia): é marcado por um conflito de origem religiosa. Os Tâmeis (hinduístas) lutam contra cingaleses (budistas). Essa luta acontece desde 1980.

 

PRINCIPAIS CONFLITOS CAUSADOS POR DIFERENÇAS RELIGIOSAS

Depois da II Guerra Mundial, a ONU adotou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que colocava em pauta o “respeito universal e observância dos direitos humanos e liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião”. O ideal foi reforçado em 1999, ano em que líderes budistas, protestantes, católicos, cristãos ortodoxos, judeus, muçulmanos e de várias outras religiões se reuniram para assinar o Apelo Espiritual de Genebra. O documento pedia aos líderes políticos e religiosos algo simples: a garantia de que a religião não fosse mais usada para justificar a violência.

Passados muitos anos e outras muitas tentativas de garantir a liberdade religiosa, grande parte dos conflitos que hoje acontecem no mundo ainda envolve crenças e doutrinas, que se misturam a uma complexa rede de fatores políticos, econômicos, raciais e étnicos. De “A a T”, conheça cinco conflitos atuais que têm, entre suas motivações, a intolerância religiosa:

Afeganistão  

Grupos em conflito: fundamentalistas radicais muçulmanos e não-muçulmanos

O Afeganistão é um campo de batalhas desde a época em que Alexandre, o Grande, passava por lá, em meados de 300 a.C. Atualmente, dois grupos disputam o poder no país, em um conflito que se desenrola há anos. De um lado está o Talibã, movimento fundamentalista islâmico que governou o país entre 1996 e 2001. Do outro lado está a Aliança do Norte, organização político-militar que une diversos grupos demográficos afegãos que buscam combater o Regime Talibã.

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, a Aliança do Norte passou a receber o apoio dos Estados Unidos, que invadiram o Afeganistão em busca do líder do Al-Qaeda, Osama Bin Laden, estabelecendo uma nova república no país. Em 2011, americanos e aliados comemoraram a captura e morte do líder do grupo fundamentalista islâmico responsável pelo ataque às Torres Gêmeas, mas isso não acalmou os conflitos internos no país, que continua sendo palco de constantes ataques talibãs.

Nigéria

Grupos em conflito: cristãos e muçulmanos

Não é apenas o rio Níger que divide o país africano: a população nigeriana, de aproximadamente 148 milhões de habitantes, está distribuída em mais de 250 grupos étnicos, que ocuparam diferentes porções do país ao longo dos anos, motivando constantes disputas territoriais. Divididos espacialmente e ideologicamente estão também os muçulmanos, que vivem no norte da Nigéria, e cristãos, que habitam as porções centro e sul. Desde 2002, conflitos religiosos têm se acirrado no país, motivados principalmente pela adoção da sharia, lei islâmica, como principal fonte de legislação nos estados do norte. A violência no país já matou mais de 10 mil pessoas e deixou milhares de refugiados.

 Iraque

Grupos em conflito: xiitas e sunitas

Diferentes milícias, combatentes e motivações se misturam no conflito que tem lugar em território iraquiano. Durante os anos de 2006 e 2008, a Guerra do Iraque incluía conflitos armados contra a presença do exército dos Estados Unidos e também violências voltadas aos grupos étnicos do país. Mas a retirada das tropas norte-americanas, em dezembro de 2011, não cessou a tensão interna. Desde então, grupos militantes têm liderado uma série de ataques à maioria xiita do país. O governo iraquiano estima que, entre 2004 e 2011, cerca de 70 mil pessoas tenham sido mortas.

 Israel e Palestina

Grupos em conflito: judeus e muçulmanos

Em 1947, a ONU aprovou a divisão da Palestina em um Estado judeu e outro árabe. Um ano depois, Israel foi proclamado país. A oposição entre as nações árabes estourou uma guerra, que, com o crescimento do território de Israel, deixou os palestinos sem Estado. Como tentativa de dar fim à tensão, foi assinado em 1993 o Acordo de Oslo, que deu início às negociações para criação de um futuro Estado Palestino. Tudo ia bem até chegar a hora de negociar sobre a situação da Cisjordânia e da parte oriental de Jerusalém – das quais nem os palestinos nem os israelenses abrem mão.

Na Palestina, as eleições parlamentares de 2006 colocaram no poder o grupo fundamentalista islâmico Hamas. O grupo é considerado uma organização terrorista pelas nações ocidentais e fracassou em formar um governo ao lado do Fatah – partido que prega a reconciliação entre palestinos e israelenses. O Hamas assumiu o poder da Faixa de Gaza. E o Fatah chegou ao da Cisjordânia, em conflitos que se prolongaram até fevereiro de 2012, quando os dois grupos fecharam um acordo para a formação de um governo. Mas segundo o site da Al Jazeera, rede de notícias do Oriente Médio, a rixa continua. Eleições parlamentares e presidenciais serão conduzidas nos dois territórios e a tensão internacional permanece pela possibilidade do Hamas voltar a vencer no processo eleitoral.

As principais facções palestinas, seus líderes e objetivos 

Hamas

Fundador: Ahmed Yassin (morto em 2004)
Características: grupo com um braço militar e outro político. O político, que faz trabalhos sociais em campos de refugiados, ascendeu ao poder a partir de 2006. O militar foi o primeiro a usar homens-bomba na região, em 1992
Objetivo: destruir Israel e criar um Estado islâmico na região, sob o controle dos palestinos
Efetivo: entre 200 e 300 militantes no braço armado. Milhares de simpatizantes no braço político. Tem facilidade em recrutar voluntários devido à popularidade que tem entre os palestinos

Jihad Islâmica

Líder: Ramadan Shallah, ex-professor da Universidade do Estado da Flórida
Características: é a mais independente das facções extremistas. Recebe financiamento principalmente do Irã
Objetivo: destruir Israel e criar um Estado islâmico na região, sob o controle dos palestinos
Efetivo: em 2006, tinha só algo entre setenta e 100 terroristas. Tem dificuldade para recrutar colaboradores por contar com apoio restrito da população

Brigada dos Mártires de Al-Aqsa

Líder: Marwan Barghouti é a principal cabela do movimento , embora tenha sido preso por Israel em 2002, pelo assassinato de cinco israelenses em ataques
Características: em tese, é uma dissidência do grupo do antigo líder Yasser Arafat, o Fatah. Surgiu após o fracasso das negociações de paz e em 2006 já respondia por cerca de 70% dos atentados contra israelenses
Objetivo: assustar os israelenses de modo a obter novas concessões em negociação de paz
Efetivo: contava com cerca de 1.000 homens, em 2006

Hezbollah

Líder: Xeque Hassan Nasrallah
Características: grupo fundamentalista xiita do Líbano que existe desde 1982. Foi criado para combater as tropas israelenses que ocupavam o sul do país. É sustentado pelos iranianos e apóia a causa palestina
Objetivo: criar um Estado islâmico no Líbano, destruir o Estado de Israel e transformar Jerusalém numa cidade totalmente muçulmana
Efetivo: em 2006, tinha 800 combatentes ativos e 2.000 reservistas

 

Sudão

Grupos em conflito: muçulmanos e não-muçulmanos

A guerra civil no Sudão já se prolonga há mais de 46 anos. Estima-se que os conflitos, que misturam motivações étnicas, raciais e religiosas, já tenham deixado mais de 1 milhão de sudaneses refugiados. Em maio de 2006 o governo e o principal grupo rebelde, o Movimento de Libertação do Sudão, assinaram o Acordo de Paz de Darfur, que previa o desarmamento das milícias árabes, chamadas janjawid, e visava dar fim à guerra. No mesmo ano, no entanto, um novo grupo deu continuidade àquela que foi chamada de “a pior crise humanitária do século” e considerada genocídio pelo então secretário de estado norte-americano Colin Powell, em 2004.

 

Sudão do Sul

O conflito entre o Sudão e o Sudão do Sul, após este ganhar independência, pode se intensificar. Em novembro, o ministro da defesa sudanês anunciou uma ofensiva para combater os rebeldes do sul. Além disso, há um conflito interno no Sudão do Sul. Diferentes grupos étnicos estão se enfrentando, promovendo uma matança em ambos os lados. A disputa pode atingir as proporções de um genocídio. Em 2013, 450 mil pessoas tiveram de fugir da região.

Sudão

Iraque

2013 foi um ano terrível para o Iraque. Desde 2008, quando os números da violência eram baixos, o país não passava por tamanho banho de sangue. Foram cerca de 9 mil mortos, religando o alerta nos Estados Unidos. Ficou claro que a região está longe de estar totalmente pacificada. Recentemente, a região de Fallujah foi tomada pela Al Qaeda, tornando a situação ainda mais crítica. Mesmo com o temor de uma guerra civil, o governo americano, por enquanto, descarta a possibilidade de entrar novamente no país.

Iraque

Coreia do Norte

Que a Coreia do Norte tem um líder jovem, instável – e talvez louco -, todos já sabem. Que a maioria das ameaças são blefes, também. Mesmo assim, o mundo ficará mais preocupado com Kim Jong-Un. Seu governo ameaçou a Coreia do Sul de guerra por fax, prometendo um ataque sem piedade. Também disse que o mundo sofreria uma catástrofe nuclear caso o país fosse atacado. A fria execução do tio de Kim e de outros “traidores” também chocaram o mundo.

Coréia do Norte

Síria

A guerra civil na Síria, entre os rebeldes e o governo de Bashar al-Assad, se arrasta desde janeiro de 2011. Até agora, foram mais de 100 mil mortos e 2 milhões de refugiados. Com Rússia e China do lado da Síria, Europa e Estados Unidos apoiam os rebeldes mas não pensam em entrar no país para por um fim rápido no conflito. Os Estados Unidos, principalmente, não querem se enfiar em outra guerra no Oriente Médio de maneira direta. Mas a tensão aumenta a cada dia. Depois de ataques com armas químicas – provavelmente feitos pelo governo de Assad – muitos já se perguntam qual será a gota final, agora que o ISIS (Estado Islâmico), já ocupa boa parte do país.

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Síria

Paquistão

Paquistão pode enfrentar um aumento da violência e uma instabilidade política. No ano passado, as mortes em ataques terroristas aumentaram 19%, chegando a quase 2500 vítimas.

Paquistão

Oriente Médio

A região da Península Árabe, especialmente Iêmen e Jordânia, pode preocupar ainda mais. O conflito crescente na Síria pode irradiar para a Jordânia – e também para o Líbano. Já a Al Qaeda pode encontrar mais força no Iêmen, onde o ódio contra os Estados Unidos só aumenta. Em 2013, por exemplo, um drone americano que matou, por engano, mais de dez pessoas em um casamento no país revoltou a população.

Iêmem e Jordânia

Irã

Em 2013, o Irã e mais seis potências chegaram, aparentemente, a um acordo sobre o programa nuclear iraniano. O Irã iria reduzir o programa na mesma medida em que as potências reduziriam as sanções econômicas impostas. Mesmo assim, é grande o temor de que, se o acordo não for plenamente cumprido, um conflito para impedir a construção de uma bomba atômica possa começar.

Irã

República Centro-Africana

A escalada de violência na República Centro-Africana corre o risco de se tornar um genocídio, o que muitos estão chamando de “a nova Ruanda”, em alusão ao massacre que vitimou milhões naquele país em 1994. Na verdade, um conflito violento já começou. A ONU já calcula mais de um milhão de refugiados. Na luta entre grupos muçulmanos e cristãos, cerca de 500 morreram em dezembro de 2013. Já há relatos de cidades totalmente abandonadas, com corpos espalhados, onde até mesmo os médicos e socorristas fugiram.

República Centro-Africana

GRUPOS EXTREMISTAS ISLÂMICOS

ISIS

ISIS

Islamic StateSeus militantes são conhecidos por sua brutalidade ao combater os inimigos…

 

Os ataques em Paris na sexta-feira voltaram a colocar em foco o grupo extremista autodenominado “Estado Islâmico” (EI), que assumiu a autoria dos atentados que mataram ao menos 129 e deixaram mais de 350 feridos.

Com suas táticas brutais, que envolvem assassinatos em massa, sequestros de minorias religiosas e decapitações divulgadas pela internet, o grupo vem gerando uma onda de medo e ódio em todo o mundo.

Mas o que é realmente o “EI”? Quem o financia? E quantos membros têm? A seguir, respondemos a estas e outras perguntas.

 

O que é e o que quer o ‘Estado Islâmico’?

O grupo estabeleceu um califado, uma forma de Estado dirigido por um líder político e religioso de acordo com a lei islâmica, a sharia. O ‘EI’ controla hoje um território que engloba partes da Síria e do Iraque.

Apesar de estar presente só nestes dois países, o grupo prometeu “romper as fronteiras” do Líbano e da Jordânia com o objetivo de “libertar a Palestina” e, para isso, tem pedido o apoio de todo o mundo muçulmano, além de exigir que todos jurem lealdade a seu líder (califa), Abu Bakr al-Baghdadi.

 

Qual é sua origem?

APEstimativas dão conta de que grupo e aliados controlam ao menos 40 mil km² no Iraque e na Síria.

 

Para buscar as raízes do ‘EI”, é preciso voltar a 2002, quando o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, já falecido, criou o grupo radical Tawhid wa al-Jihad.

Um ano depois da invasão liderada pelos Estados Unidos no Iraque, Zarqawi jurou lealdade a Osama bin Laden e fundou as bases da Al Qaeda no Iraque, que se tornou na maior força insurgente dos anos de ocupação americana.

No entanto, depois da morte de Zarqawi em 2006, a Al Qaeda criou uma organização alternativa chamada “Estado Islâmico de Iraque” (Isi, na sigla em inglês).

O Isis foi enfraquecido pelos ataques das tropas americanas e pela criação dos conselhos sahwa, liderados por tribos sunitas que rejeitaram a brutalidade do grupo.

Em 2010, Abu Bakr al-Baghdadi se tornou seu novo líder, resconstruiu a organização e realizou múltiplos ataques. Três anos depois, se união à rebelião contra o presidente sírio Bashar al Assad, junto com a frente Al Nusra.

Abu Bakr anunciou a fusão das milícias no Iraque e na Síria em abril daquele ano e a batizou como “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” (ISIS, na sigla em inglês).

Os líderes da Al Nusra rejeitaram esta fusão. Mas os combatentes leais a Abu Bakr o seguiram em seu empenho jihadista. Em dezembro de 2013, o ISIS se concentrou no Iraque e aproveitou a divisão política entre o governo de orientação xiita e a minoria sunita.

Com a ajuda de líderes tribais, conseguiram controlar a cidade de Faluja. Mas o grande golpe veio em junho de 2014, quando assumiram o controle de Mosul, a segunda maior cidade do país, e continuaram a avançar rumo à capital, Bagdá.

Em julho, já controlavam dezenas de outras cidades e localidades. Neste ponto, o Isis declarou ter criado um califado e mudou seu nome para “Estado Islâmico”.

Quanto território o grupo controla?

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AP
Patrímônio histórico vira cinzas em cidades ocupadas pelo ISIS…

 

Estimativas dão conta de que o grupo e seus aliados têm sob seu controle ao menos 40 mil km² no Iraque e na Síria, quase o equivalente ao território da Bélgica. Mas outros analistas afirmam que são cerca de 90 mil km², o mesmo que toda a Jordânia.

Esse território inclui as cidades de Mosul, Tikrit, Faluja e Tal Afar no Iraque, e Raqqa na Síria, além de reservas de petróleo, represas, estradas e fronteiras.

Ao menos 8 milhões de pessoas vivem em áreas controladas total ou parcialmente pelo ‘EI’, que faz uma interpretação radical da sharia, forçando mulheres a usar véu, realizando conversões forçadas, obrigando o pagamento de um imposto e impondo castigos severos, que incluem execuções.

 

Quantos membros tem?

Autoridades americanas acreditam que o “Estado Islâmico” tenha cerca de 15 mil combatentes. No entanto, o especialista em segurança iraquiano Hisham al-Hisham estima, no início de agosto, esse número em entre 30 mil a 50 mil.

Por volta de 30% deles o faz por pura convicção, enquanto o restante foi coagido pelos líderes do grupo a entrar nele. Um número considerável de combatentes não é iraquiano ou sírio. A consultoria Soufan, especializada em segurança no Oriente Médio, estima que haja ao menos 12 mil estrangeiros entre seus membros, dos quais 2,5 mil teriam vindo de países do Ocidente nos últimos três anos.

Que armamentos usa?

Os membros do “EI” têm acesso a e são capazes de usar uma grande variedade de armas, inclusive artilharia pesada, metralhadoras, lançadores de foguetes e baterias antiaéreas. Em suas incursões militares eles capturaram tanques de guerra e veículos blindados dos Exércitos sírio e iraquiano.

Além disso, o grupo tem um constante abastecimento de munição que mantém seu Exército bem armado. O poder de seus ataques recentes e enfrentamentos com o Exército curdo no norte do Iraque surpreendeu a muitos.

 

Como se financia?

IS
Grupo se autofinancia com venda de petróleo e gás, impostos e crimes…

 

O grupo disse ter US$ 2 bilhões (R$ 7,6 bilhões) em dinheiro. Isso faria dele o grupo insurgente mais rico do mundo.

A princípio, seu apoio vinha de indivíduos de países árabes do Golfo Pérsico, como Catar e Arábia Saudita. Ultimamente, consegue se sustentar ao ganhar milhões de dólares com a venda de petróleo e gás dos campos que controla, dos impostos que recolhe em seu território e de atividades ilícitas, como contrabando e sequestro.

Sua ofensiva no Iraque também foi bastante lucrativa, já que obteve acesso ao dinheiro que estava nos bancos das principais cidades que passou a controlar.

Por que suas táticas são tão brutais?

Os membros do “EI” são jihadistas que fazem uma interpretação extrema do ramo sunita do Islã e acreditam ser os únicos reais fiéis. Veem o resto do mundo como infiéis que querem destruir sua religião.

Desta forma, atacam muçulmanos e não muçulmanos. Decapitações, crucificações e assassinatos em massa já foram usados para aterrorizar seus inimigos. Os militantes usam versos do Corão para justificar seus atos, como trechos que incitam a “golpear a cabeça” dos infiéis.

O líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, condenou as ações do “EI” em fevereiro passado e advertiu ao califa que a brutalidade o faria perder o “coração e a cabeça dos muçulmanos”

Al Qaeda

BOKO HARAM

Questões sobre Conflitos Mundiais – Prof. Carlos – (PDF)