Fenômenos Climáticos


Extremos

 Os Fenômenos Climáticos mais extremos e que causam, consequentemente, mais vítimas humanas e prejuízos materiais são, respectivamente, os Furações (ou Tufões), os Tornados, as Cheias (e como consequência os deslizamentos ou escorregamentos) e as Secas.

            

FURACÃO:

          O furacão é uma tempestade que se forma nas áreas tropicais, sobre os oceanos, provocando ventos de até 350Km/h. Normalmente, possui entre 350 Km e 850 Km de diâmetros e a distribuição do vento e das nuvens ao seu redor é igual. Em seu centro, conhecido por “olho da tempestade”, em que predominam as baixas pressões, não há chuva, os ventos são brandos e o céu é praticamente limpo. Essa tempestade é chamada de Furacão quando ocorre no oceano Atlântico e de Tufão, quando acontece no pacífico.

Os termos furacão e tufão são nomes regionais para intensos ciclones tropicais, sendo este último um termo genérico para um centro de baixa pressão não-frontal de escala sinótica sobre águas tropicais ou subtropicais com convecção organizada(por exemplo, tempestades) e intensa circulação ciclônica à superfície.

catarina

Imagem do Furacão Catarina, na divisa de SC com RS em março de 2004

 Esta ocorrência ciclogênese tropical ocorre devido aos seguintes fatores:

 1. Águas oceânicas quentes (pelo menos 27°C) em uma camada suficientemente profunda, cuja profundidade deve ser de, pelo menos, de 50 m. Essas águas quentes alimentarão a engrenagem térmica do ciclone tropical.

Formação de furacão

2. Uma atmosfera que se resfrie rapidamente com a altura para que seja potencialmente instável à convecção úmida, sendo essa atividade convectiva responsável pela liberação do calor armazenado nas águas para o interior do ciclone.

3. Camadas relativamente úmidas perto da média troposfera (a partir de 5 km de altura). Níveis médios secos não conduzem ao contínuo desenvolvimento de atividade convectiva em uma vasta área.

4. Uma distância mínima de pelo menos 500 km da linha do Equador. Para ocorrer ciclogênese tropical, há o requisito de uma Força de Coriolis não desprezível para que o centro de baixa do distúrbio seja mantido.

5. Um distúrbio pré-existente próximo à superfície com vorticidade e convergência suficientes. Ciclones tropicais não podem desenvolver-se espontaneamente, pois necessitam de um sistema levemente organizado com rotação considerável e influxo nos baixos níveis.

6. Valores baixos de cisalhamento vertical de vento entre a superfície e a alta troposfera. Valores altos de cisalhamento desfavorecem ciclones tropicais incipientes e podem prevenir sua origem ou, no caso de um ciclone já formado, pode enfraquecê-lo ou até mesmo destruí-lo dada sua interferência com a organização convectiva em torno do centro do ciclone.

O Furacão tem sua intensidade medida pela escala Saffir-Simpson, sendo do mais fraco de categoria F1 até o mais devastador de categoria F5, como mostra a animação abaixo:

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Os ciclones tropicais são regionalmente denominados da seguinte maneira:

 * furacões – no Oceano Atlântico Norte, Oceano Pacífico Nordeste a leste da linha internacional da data e no Oceano Pacífico Sul a leste da longitude 160°E;

* tufões – no Oceano Pacífico Noroeste a oeste da linha internacional da data;

* ciclone tropical severo – no Oceano Pacífico Sudoeste a oeste da longitude 160°E e no Oceano Índico Sudeste a leste da longitude 90°E;

* tempestade ciclônica severa – no Oceano Índico Norte;

* ciclone tropical – no Oceano Índico Sudoeste.

Um centro de baixa pressão não-frontal passa por vários estágios até atingir a condição de furacão, sendo classificados de acordo com o vento sustentável de superfície:

* máximo até 17 m/s – depressões tropicais;

* máximo entre 18 e 32 m/s – tempestade tropical;

* máximo acima de 33 m/s – furacões, tufões…

FURACÃO MAIS DEVASTADOR

O pior tufão de que se tem conhecimento ocorreu em 12 de novembro de 1970 no Paquistão Oriental quando morreram entre 300 e 500 mil pessoas. Foram registrados ventos de até 350km/h e uma onda de 15 m de altura que atingiu a costa do Paquistão Oriental, o delta do Ganges e as ilhas do Bhola, Hatia, kukri, Mukri e Manpura.

MAIOR NÚMEROS DE DESABRIGADOS POR UM FURACÃO/TUFÃO

O tufão “Ike”, com ventos de 220 Km/h, que atingiu as Filipinas em 02/09/85, matou 1.363 pessoas, feriu 300 e deixou 1,12 milhões de desabrigados.

 

MAIOR NÚMEROS DE MORTOS NUM FURACÃO/TUFÃO

Cerca de 10 mil pessoas morreram em virtude de um tufão, com ventos de até 161Km/h, que atingiu Hong Kong em 18 de setembro de 1906.

Recentemente o tufão F4 Haiyan que atingiu as Filipinas com ventos de mais de 300Km/h em novembro de 2013, causou a morte oficial de 6.822 mil pessoas e deixou mais de 23.000 feridos e 350 mil desabrigados.

rastro de um furacão

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/numero-de-mortes-causadas-por-tufao-nas-filipinas-passa-de-5-mil

http://climatologiageografica.org/tornados-furacoes-e-tufoes/#ixzz2l5dISA64

 

TORNADO:

O tornado é uma coluna ondulante de nuvens e vento causado a partir de uma nuvem Cumulunimbus (chamada também de supercélula). Estas nuvens, com diâmetro de menos de até 2 km se deslocam a uma velocidade de 30km/h a 60km/h. Ocorre com a chegada de frentes frias, em regiões onde o ar está mais quente e instável. Estima-se que a velocidade do vento dentro do funil possa atingir ultrapassar 500km/h . Os tornados são os eventos mais destruidores de todas as perturbações atmosféricas conhecidas, porém a área afetada por eles é limitada. Quando ocorre dentro da água (lago, rio ou mar), é chamado de tromba d’água. Os tornados mais devastadores costumam ocorrer no centro-oeste dos Estados Unidos. A região que mais ocorre tornados depois dos Estados Unidos é a América do Sul (Paraguai e Brasil), Europa e Austrália, porém raramente chegam a categoria F1 a F3.

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Fases de um tornado:

1- Antes do desenvolvimento da tempestade, uma mudança na direção do vento e um aumento da velocidade com a altura criam uma tendência de rotação horizontal na baixa atmosfera. Essa mudança na direção e velocidade do vento é chamada de cisalhamento do vento.

2- Ar ascendente da baixa atmosfera entra na tempestade inclinada e o ar em rotação da posição horizontal muda para a posição vertical.

3- Então há a formação de uma área de rotação com comprimento de 4-6 km, que corresponde a quase toda extensão da tempestade. A maioria das tempestades fortes e violentas são formadas nestas áreas de extensa rotação.

4- A base da nuvem e sua área de rotação são conhecidas como wall cloud. Esta área é geralmente sem chuva.

5- O tornado só se caracteriza como tal quando toca o solo (underground), do contrário é apenas uma “nuvem funil”.

esquema tornado

 A palavra tornado veio da palavra espanhola Tornada, que significa tempestade. Um tornado sobre a água é denominado tromba d’água. Tornados geralmente tem um tempo de vida de alguns minutos e raramente duram mais do que uma hora. Tornados são ventos ciclônicos que giram com uma velocidade muito grande em volta de um centro de baixa pressão. São menores que os furacões e seu tempo de vida também. Um tornado pode ter no solo um diâmetro de 30m a 2,5km. Os menores tornados são caracterizados como F1 e os maiores, F5.

Um tornado F1 não dura mais do que alguns minutos, desloca-se um quilômetro e meio no máximo e tem ventos com velocidade de até 160km/h. Um F5 pode deslocar-se 320km ou mais, durar até 3 horas e ter ventos com velocidade superior a 400km/h.
O tornado percorre um caminho muito irregular. Quando o funil toca o solo, ele pode mover-se em linha reta ou percorrer numa direção irregular. Ele pode até duplicar-se, pular lugares ou formar vários funis. A maioria dos tornados do Hemisfério Norte deslocam-se do sudoeste para o nordeste e possuem rotação em sentido anti-horário. No Hemisfério Sul, os tornados possuem rotação horária.

Assim como os terremotos possuem a Escala Richter para medir sua intensidade, os tornados possuem a “Fujita-Pearson Tornado Intensity Scale”, ou seja uma escala usada pelos meteorologistas para medir a intensidade dos ventos de um tornado. Essa escala foi nomeada em homenagem aos dois homens que a desenvolveram: Dr. Theodore Fujita e Allan Pearson, diretores do Centro de Previsão de Tempo de Kansas City, nos EUA.

A escala Fujita  está representada na tabela abaixo:

Classificação, Velocidade do Vento (km/h) + Danos

Escala Fujita

 

 

 

 

 

 

As Cumulonimbus  são nuvens convectivas chamadas também de supercélulas que causam trovoadas, raios, granizo e as vezes até tornados,  se desenvolvendo verticalmente até grandes altitudes, com a forma de cogumelos, montanhas, torres ou de gigantescas couve-flores. Têm uma base entre 1.5 até 25 Km e um topo que pode ir até 23 km de altitude podendo até ter quase 3 vezes a altura do monte Everest, sendo a média entre 9 e 12 km.

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O topo é caracterizado pela chamada “bigorna”: uma expansão horizontal devida aos ventos superiores, lembrando a forma de uma bigorna de ferreiro. São formadas por gotas d’água, cristais de gelo, gotas super esfriadas, flocos de neve e granizo. Nuvens cumulus são abreviadas na meteorologia como Cb.

As cumulonimbus são alimentados por fenômenos de convecção muito vigorosos (por vezes com ventos de mais de 92 km/h). Na base, são formados por gotículas de água, mas nas zonas mais elevadas da “bigorna”, são já formadas por cristais de gelo.

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Podem estar associados a todas as formas de precipitação forte, incluindo grandes gotículas de chuva, neve ou granizo. Uma trovoada é basicamente uma nuvem cumulonimbus capaz de produzir ventos fortes e tempestuosos, raios, trovões e mesmo, por vezes, violentos tornados.

DIFERENÇA ENTRE FURACÕES E TORNADOS

 Embora ambos sejam vórtices atmosféricos, eles tem muito pouco em comum. Tornados tem diâmetros de centenas de metros e são produzidos por uma única tempestade convectiva. Por outro lado, ciclones tropicais tem diâmetros da ordem de centenas de quilômetros, sendo comparável a dezenas de tempestades convectivas. Além disso, enquanto tornados requerem um forte cisalhamento vertical do vento para sua formação, ciclones tropicais requerem valores baixos de cisalhamento vertical para se formar e crescer.

Os tornados são fenômenos primariamente continentais, de modo que o aquecimento solar sobre o continente usualmente contribui favoravelmente para o desenvolvimento da tempestade que dá início ao tornado (embora também existam tornados sobre o mar, que são chamados de trombas d’água).
Em contraste, ciclones tropicais são fenômenos puramente oceânicos que morrem sobre o continente devido à quebra no suprimento de umidade. Seu ciclo de vida é de alguns dias, enquanto que o ciclo de vida de um tornado é tipicamente alguns minutos.

* Um ponto interessante é que quando um ciclone tropical está sobre o continente seus ventos de superfície decaem mais fortemente com a altura promovendo, assim, forte cisalhamento vertical do vento que permite a formação de tornados.

 

 MAIOR NÚMERO DE MORTOS NUM TORNADO

Um tornado F3 que atingiu Shaturia , em Bangladesh, a 26 de abril de 1989, matou em torno de 1.300 pessoas e desabrigou 50 mil.

  

MAIORES DANOS MATERIAIS POR UM TORNADO

Uma série de tornados que atingiu os estados de Indiana, Wisconsin, Illinois, Iowa, Michigan e Ohio, nos EUA, em abril de 1985 , matou 271 pessoas , feriu milhares de outras pessoas e causou prejuízos de mais 400 milhões.

 rastro de um tornado