Saídas à Campo

Nos últimos anos, as saídas à campo foi uma das modalidades didáticas que começou a ganhar destaque nas aulas de Geografia. Esta atividade por ser realizada em ambientes naturais, estimula a curiosidade dos alunos e proporciona uma aprendizagem mais significativa em virtude do professor ter disponível diversos recursos naturais. Segundo Seniciato Cavassan (2004),  as atividades em ambientes naturais envolvem e motivam os alunos superando a fragmentação dos conteúdos, além de promover uma mudança de valores e uma postura em relação à natureza que estabelecem uma nova perspectiva na relação “homem x natureza”. Além disso, a saída de campo é uma metodologia que auxilia na construção dos conhecimentos científicos relacionados ao meio ambiente.

A busca por novos métodos de ensino eficazes é discutida nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), os quais estimulam a busca de atividades diferentes que possam explorar o meio ambiente através de uma abordagem multidisciplinar (BRASIL, 1998). Assim, as saídas à campo se tornam uma opção para os professores de Geografia e de Ciências, principalmente,  ampliarem os conhecimentos dos alunos a não ficarem restritos apenas na sequência de conteúdos dos currículos escolares, pois esta metodologia favorece a abrangência de diferentes temas. As saídas à campo facilitam a interação dos alunos com o meio ambiente em situações reais aguçando a busca pelo saber, além de estreitar as relações entre aluno/professor (VIVEIRO; DINIZ, 2009).

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Morro dos Conventos/SC (mata atlãntica, restinga, dunas, grutas, sambaquis, falésia, rio e mar no mesmo local)

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Em ambiente natural é possível agrupar e relacionar os diferentes conteúdos, e esta dependência existente entre uma parte e outra é que possibilita uma abordagem mais ampla. A metodologia em discussão proporciona aos estudantes observações diretas de fatos reais, a exploração de diversos sentidos e possibilita relacionar a teoria da sala de aula com a prática do seu cotidiano. Leva-os a fazer uma leitura do mundo de forma mais ampla partindo do local para o global (BRASIL, 1997). E é esta a visão de mundo que o aluno precisa ter, pois as mudanças que ocorrem e os fatos que acontecem não se dão separadamente, pois existem inter-relações, onde até mesmo um acontecimento pode influenciar em outro.

A observação do relevo, da fauna e flora de um determinado local, por exemplo, são técnicas facilmente associadas às saídas à campo, ainda recente e pouco desenvolvida nas aulas de geografia, mas que, segundo Costa (2007), pode servir de ferramenta lúdica, prática e não conteudista, sensorial e experimental. Esta oferece várias possibilidades para a abordagem dos conteúdos. Costa (2006) também coloca que essa metodologia tem mostrado resultados positivos, pois ela desperta o interesse dos alunos, os quais já desanimados com métodos tradicionais, invocam ao docente a necessidade de aprendizagem “in loco”.

Precisamos conhecer o nosso meio para poder preservá-lo, pois “só se ama aquilo que se conhece”. Então, uma vez apreendido, estes conhecimentos jamais serão esquecidos, pois segundo Moreira (2005), constroem uma aprendizagem significativa que é somente possível quando as informações adquiridas pelo aluno fazem sentido e possibilitam alterar conceitos anteriores.

Prof. José Carlos Rabello